sexta-feira, 3 de junho de 2011

Fandango, um patrimônio vivo de Canguaretama...

         A barca do Fandango carrega mais de 150 anos de história sob o asfalto das ruas de Canguaretama. É o mais fiel às tradições do auto no Brasil e o primeiro grupo selecionado pela Lei do Patrimônio Vivo a receber a bolsa vitalícia e mensal no valor de R$ 1,5 mil. 
     No Fandango originado em Canguaretama, os cerca de 30 integrantes vestem fardas da Marinha Mercante brasileira. Diferem mesmo dos outros autos no canto e enredo. 
        O responsável pelo Fandango desde 1971 é José Manoel do Nascimento Filho, o mestre Zé Dinar, 58 anos. Os folcloristas encontram Zé Dinar no açougue do mercado público, onde trabalha. Praticamente todos os "marinheiros" do grupo são pescadores, gente simples e que preserva a tradição do Fandango sem qualquer apoio municipal. "Nossa barca dorme ao relento, sem proteção nem teto", reclama Kleber Pinheiro, o Klebinho, 54, que divide com Zé Dinar as responsabilidade do grupo. "Tomo conta da parte administrativa. Se Zé Dinar sair eu também saio porque eu não danço e não tem quem substitua ele. Não temos apoio. Nem mesmo uma sala. Ensaiamos na rua. Conseguimos quem cedesse um terreno para nós, mas a prefeitura não levantou um tijolo", lamenta. 
        Segundo Severino Vicente, a encenação teatral retrata a luta entre mouros e cristãos, com seus duelos de espada, obrigando os infiéis a se renderem e invocarem o nome da Virgem Maria. Submetidos e presos, os mouros pedem o batismo.
     Os primeiros organizadores do Fandango de Canguaretama foram Manoel Francisco de Andrade (Manoel Lima) e Genésio Mangabeira. Em seguida veio Antônio de Andrade (Antônio Lima) e Geraldo Costa. Apresentam-se com 40 componentes e se organizam de forma hierárquica. Capitão de Mar e Guerra, Capitão de Fragata, Capitão Piloto, Capitão Imediato, Mestre e Contra-mestre, Gajeiro, Calafate, Ração, Vassoura e marujos. 
         Fonte: Diário de Natal(Adaptado)

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