quarta-feira, 21 de março de 2012

Dia 22 de Março: Dia Mundial da Água

                                                              Antonio-Alberto Cortez*
 QUE SERÁ DE NOSSAS ÁGUAS?
                                                                                                                          
Desde os anos setenta do século passado os assuntos ambientais passaram a compor as principais agendas do mundo. Gradualmente os governos foram aceitando a idéia de que não teremos vida longa se não cuidarmos do ambiente que vivemos e do qual extraímos as riquezas que nos sustentam. Tudo na natureza foi muito bem programado. A relação íntima entre os inúmeros ecossistemas, suas interações e dependências são visíveis. Exemplo: que será do rio sem a mata ciliar, ou das inúmeras espécies de crustáceos, moluscos e peixes sem os mangues?
Pois bem, Dorst, muito apropriadamente na sua obra “Antes que a Natureza Morra”, nos diz que problemas tais como a poluição das águas não é recente. “O Zend Ayesta e a Escrituras continham preceitos relativos aos detritos e à forma de distribuí-los de modo a não incomodar o homem e a não comprometer suas provisões de água”.
Embora muitas campanhas e eventos sejam anualmente realizadas através dos mais variadas meios de comunicação, as agressões ambientais continuam a proceder  ruína aos ecossistemas terrestres, justificadas não por uma, mas por várias interferências humanas e em função dos mais diferentes objetivos. Sem considerar os parâmetros da sustentabilidade, nós, modernos civilizados, remetemos ao futuro um saldo amargo representado por alterações climáticas e físicas que já nos mostram seus efeitos os quais são mútuos reforçadores de incontáveis e nocivos efeitos que, infelizmente deverão, caso não sejam tomadas medidas urgentes, tornar a vida futura no mais cruel exercício de sofrimento.
Trazendo a questão para o nosso Estado, observamos ações que caminham na contra mão da racionalidade, do respeito e da preservação da vida. O Rio Grande do Norte tem cerca de 90% do seu território dentro da região semi-árida, portanto tem clima áspero, sujeito a intempéries tais como estiagens prolongadas, chuvas irregulares, às vezes de grande intensidade trazendo inundações e grandes prejuízos.
Nossos periódicos e maltratados rios, por estas condições, logo secam após as enchentes. Restam as ipueiras, as lagoas e os açudes cujas águas logo ficam “pesadas” por força da evaporação concentradora de sais e outros elementos, inclusive os dejetos das cidades e povoações inseridas nas respectivas bacias. Preocupam as notícias sobre a poluição de nossas águas represadas e dos rios, assim como a inércia de determinados órgãos, inclusive da atuação abaixo da crítica dos Comitês de Bacias.
Alertas sobre a situação das águas não somente daqui, mas em todo o mundo, ocorrem diariamente. Estima-se que entre os anos de 2015 e 2020 haverá um contingente de cerca de dois bilhões de seres humanos sujeitos às agruras da sede, quer por escassez, ou mesmo por falta de potabilidade das águas, isto é, de tão imundas não se prestam ao consumo.
Verificamos, no dia-a-dia, espaços nobres serem devastados e/ou utilizados sem maiores critérios. Nem sempre o órgão responsável tem condições de atuar face o reduzido quadro de servidores diante da quantidade crescente de ocorrências. Construir sem observar os critérios da sustentabilidade é condenar o lençol freático à contaminação. Os seres humanos, num exercício máximo de hipocrisia e ignorância mudaram os status de nossas fontes, rios e lagoas transformando em esgotos o que antes era fonte de vida.
Portanto, não há dúvida de que a morte das águas tem origem na deletéria ação humana sobre a natureza. No entanto, identificar a degradação de fontes potáveis é uma tarefa ingrata e, muitas vezes dificultada pelas formas de percepção de como e quando se encara o problema. “O normal é não se dar atenção até que a desgraça esteja consumada”. Até parece que as diversas esferas de governo são orientadas por interesses e vantagens de curto prazo, no apoio a projetos meramente econômicos, os quais atuam como verdadeiros rolos compressores, portanto sem praticamente deixarem margem às contestações.
As reservas de água potável estão se esvaindo ano após ano, em todo o mundo reforçando o sonho especulativo dos que insistem na privatização deste bem vital mercantilizando-o como se fosse um produto qualquer.  Caso não tenhamos forças para conter a destruição de nossos aqüíferos, em breve, bem mais cedo do que se imagina teremos sede, mas não teremos água.
*Professor da UFRN/Departamento de Economia

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