terça-feira, 27 de março de 2012

O PEIXE NOSSO DE CADA DIA

Antonio-Alberto Cortez-Professor da UFRN/Departamento de Economia
A Semana Santa está próxima. Para a maioria das famílias cristãs, torna-se indispensável as avaliações sobre os preços dos peixes indicados (os com escamas) ao consumo nestes tempos de Quaresma. Afinal, cumprir os preceitos bíblicos voltados à maioria das religiões cristãs requer, além de tempo para as cerimônias desta época, (Missas, Via Sacra, vigílias), como um pouco mais de dinheiro para a ceia especial – peixes e outras iguarias. Mas, por que o peixe é caro? A resposta é simples: pouca produção e demanda acima da oferta. Trata-se de um problema anualmente recorrente em algumas regiões brasileiras, porém muito intensamente no Rio Grande do Norte.
Ora, a expansão das capturas pesqueiras mundiais nas últimas cinco ou seis décadas resultou, como era de se esperar, na redução dos estoques de inúmeras espécies de peixes nos diversos oceanos e mares da terra, notadamente nas regiões costeiras.  A produção de pescados mostra-se decrescente face à diminuição de parte significativa da fauna voltada ao abastecimento humano. Sua recuperação requer medidas não só urgentes, mas que demonstrem eficácia, ou seja, que reduzam certas capturas e possibilitem o gradual processo de melhora quantitativa dos cardumes ameaçados de extinção. No entanto, para que essa possibilidade aconteça, urge a execução de programas que reduzam as capturas de espécies que atingiram níveis críticos, isto é, que estão a caminho da extinção.
Difícil, no entanto, na minha avaliação, não seria a recuperação das vítimas da sobrepesca, pois a natureza geralmente demonstra grande capacidade de dar a “volta por cima”, mas sim a resistência de certos países em acatarem, de fato, as normas contidas no possível acordo internacional para salvação dos peixes. Viriam à tona alegações e lamúrias de cunho cultural e econômico, que somadas à imensidão oceânica e à falta de um aparelho internacional de fiscalização tornariam praticamente impossíveis a almejada recuperação e conseqüente equilíbrio das espécies em risco de desaparecimento.
Sem perder de vista esta a necessidade, em muitos pontos do globo cada vez mais são incentivadas às práticas de cultivo de peixes, crustáceos e moluscos como forma de garantir o equilíbrio do abastecimento do pescado aos mercados cada vez mais exigentes e ávidos ao consumo de proteínas nobres. Em alguns países, a produção da aqüicultura iguala-se e, às vezes supera a oriunda das capturas efetuados no mar.
No Brasil, onde as possibilidades de pesca oceânica se desenvolvem, ainda, em bases ditas sustentáveis, as capturas em certas regiões litorâneas são preocupantes quanto à redução de algumas espécies antes abundantes. Por isso, em todas as regiões do Brasil cada vez mais é crescente o números de pessoas que implantam fazendas para criação de peixes vários, camarões, ostras, mexilhões, etc. Cresce, por exemplo, nos Estados de Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Piauí e Ceará a produção de peixes em viveiros escavados (opção mais cara) e tanques-redes (opção mais em conta). A diversidade dos cultivos estende-se da sofisticada truta (comercializada entre R$40,00 e R$60,00)em regiões serranas do Sul e do Sudeste, à popular e não menos saborosa tilápia (média de R$5,00 nas feiras livres). Verificações indicam que nos Estados aqui nominados os preços dos peixes são mais acessíveis que no RN.  A diferença não é nada sutil. No restante do Brasil aflora uma consciência de que é necessário produzir peixes para equilibrar o abastecimento, diminuir os preços e aumentar o consumo. Já no Rio Grande do Norte ...

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