terça-feira, 13 de março de 2012

Segunda parte da entrevista, o Professor Francisco Galvão fala mais sobre a Educação na região.

Publicamos agora, como foi prometido, a segunda parte da entrevista com o Coordenador da Regional do SINTE de Canguaretama.

Canguaretama em Chamas: Como você analisa a educação pública em Canguaretama hoje?
Francisco Galvão: O que acontece com a educação de Canguaretama não é diferente de outras cidades brasileiras. O problema é que já se aceita isso como se fosse uma coisa normal, como se fosse inevitável, algo que não pudesse ser mudado.

Canguaretama em Chamas: Mas, então, é ou não é uma boa educação?
Francisco Galvão: Não posso tender ao maniqueísmo nem ser prolixo para lhe responder. Temos bons profissionais, mas isso não é o suficiente. Falta muito para chegar a uma educação de qualidade. Há um abismo muito grande entre as classes sociais: para os pobres se oferece uma educação de segunda ou terceira classe. Isso não é justo. Não podemos aceitar essa situação como exemplo de boa educação pública.

Canguaretama em Chamas: Você concorda que os filhos de quem tem cargo eletivo deveriam ser matriculados em escolas públicas de sua “jurisdição”?
Francisco Galvão: Essa é uma das melhores ideias dos últimos anos. É também a prova maior da falta de qualidade: se tivéssemos essa boa educação que dizem, os administradores públicos colocariam seus filhos nas escolas que estão sob seu poder.

Canguaretama em Chamas: É possível mudar esse quadro da educação?
Francisco Galvão: Claro! Mas não é concebível entender a educação como despesa, educação é investimento e não há país que venceu a pobreza sem ter investido na educação de sua população.

Canguaretama em Chamas: Como anda o piso salarial do magistério?
Francisco Galvão: Tenho medo que o piso se torne uma grande falácia. O presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte, Benes Leocádio, mas dizendo que não é contra, afirmou que os gestores municipais não têm como pagar esse Piso e cobrou do Governo Federal uma compensação. Estão criando condições para não pagar o reajuste do piso e isso é muito perigoso para os profissionais da educação. A impressão que temos é que o piso passou a ser uma arma de barganha para prefeitos pedirem mais recursos.

Canguaretama em Chamas: Como está sendo pago o piso nas prefeituras da região?
Francisco Galvão: Os prefeitos se dispõem a pagar o piso, mas esquecem de que existe um reajuste de 22,22% para ser cumprido. Algumas prefeituras também devem retroativos de anos anteriores. Em muitos casos vai ser necessário convocar o Ministério Público para garantir o cumprimento da Lei Federal.

Canguaretama em Chamas: A prefeitura de Canguaretama vai pagar?
Francisco Galvão: A fala do prefeito suscitou dúvidas. No dia 9 passado ele garantiu que pagará o piso, mas na negociação com o sindicato ele afirmou que não teria como reajustar o salário em 22,22%. O sindicato aconselhou a cortar gastos.

Canguaretama em Chamas: E sobre a jornada de trabalho dos trabalhadores em educação.
Francisco Galvão: Nós defendemos uma jornada de 6 horas ininterruptas para os servidores. Para os professores pedimos o respeito da lei que prevê um terço da jornada para trabalhos extraclasse. Como o professor tem que cumprir 30 horas, trabalhará 20 horas com os alunos e 10 horas serão reservadas para planejamento e estudo. Assim, o professor trabalhará 4 dias em sala de aula e um dia fora da sala.

Canguaretama em Chamas: Isso é algo novo na educação?
Francisco Galvão: Não! Desde a época imperial que se fala que o professor deveria ter tempo para planejar suas atividades, mas isso nunca foi colocado em prática. A lei do piso fortaleceu o desejo por essa prática, mas os governos municipais e estaduais dizem que não estão preparados para colocar a lei em prática. Eles não lembram que lei não é de agora. Faltou planejamento dos gestores e não podemos penalizar novamente a educação!

Canguaretama em Chamas: Você aceitaria comentar a política municipal em outra entrevista?
Francisco Galvão: Aceito, mas com a condição de imparcialidade e reponsabilidade!

Canguaretama em Chamas: Você responderia perguntas enviadas pelos leitores deste blog?
Francisco Galvão: Para mim será um prazer até porque nesta cidade encontramos pouca gente que se dispõe a fazer isso de forma educada! Estamos nos acostumando a não questionar, como se questionar fosse proibido ou sinal de se colocar na oposição. É preciso questionar, pois essa prática leva ao desafio e o desafio leva ao crescimento.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Todo o conteúdo postado em forma de comentário é de total responsabilidade do autor do mesmo!
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
...
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;