segunda-feira, 20 de maio de 2013

Ciência: Limites do Crescimento II - Por Antonio-Alberto Cortez*


Antonio-Alberto Cortez*
Prof. da UFRN
Desde a fundação do Clube de Roma, há mais de quarenta anos, o meio ambiente como variável principal nos planos, programas e projetos de desenvolvimento passou a ser considerada por muitos estudiosos, movimentos organizados e por governos de vários países. Há, embora lentamente, um despertar para as questões relativas ao meio no qual vivemos. Prevalece uma necessidade premente de interação com a natureza de modo que possamos usufruir o bem-estar sem comprometer de forma irreversível os recursos disponíveis. 

Diante do número e da dimensão do conjunto de problemas que constatamos nesses “tempos modernos”, percebe-se que não é fácil concluir a equação.  O imperativo do desenvolvimento nem sempre enxerga mais longe; geralmente, prevalece o imediato. Desafios como eliminar (ou trazer para níveis aceitáveis) a massa de milhões de seres humanos afetados pela pobreza absoluta podem deixar o meio ambiente exposto ao aprofundamento do processo de degradação. Da mesma forma, grandes projetos industriais, agroindustriais e/ou infraestruturais podem, sim, implicar no médio e longo prazo prejuízos maiores do que a situação que os impôs realização. Exemplo: a instalação e funcionamento de uma usina de geração de energia nuclear cujo objetivo é resolver o déficit energético pode, eventualmente, provocar um acidente maior do que os benefícios aos quais se propunha; espaços quase imensuráveis ocupados por agricultura à base de agrotóxicos pode ou não contaminar os lençóis freáticos? E o elenco de problemas não é curto. Estudos procedidos mediante os auspícios do Clube de Roma puseram em marcha o Projeto sobre a Condição Humana o qual trata da “perda de fé nas instituições; o crescimento urbano sem controle; a insegurança no emprego; a alienação da juventude; a recusa dos valores tradicionais; as incertezas da economia” entre outras distorções. 
Há, portanto, uma encruzilhada diante da dúvida que persiste: “em que instante, por exemplo, o avanço tecnológico pode ou não pode retardar o momento em que o crescimento começa a refrear-se”? Não há rejeição ao avanço da ciência nem ao desenvolvimento tecnológico. Alerta-se quanto à necessidade de estarmos atentos às consequências (muitas vezes deletérias) que poderão advir. Perfeito o lema do Sierra Club: “Não oposição cega ao progresso, mas oposição ao progresso cego”. Claro que a bandeira antidesenvolvimento, por burrice, não há porque prosperar. Entretanto há pertinência em levantar algumas interrogações próprias ao “antes de proceder à difusão de novas tecnologias”. É necessário e saudável avaliar as “suas possíveis sequelas físicas e sociais (alterações) e os prazos necessários para sua introdução”. Impõe-se, portanto, jamais deixar de considerar a condição finita do planeta que habitamos e tudo que nele existe. É cada vez mais necessário considerar a assertiva de que realmente existem limites ao crescimento.

*Professor da UFRN/Departamento de Economia 
B.C. 17 de maio de 2013 
Fonte consultada: Texto de Ramon Tamames – Crítica aos limites do crescimento. 

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